" Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim; pelo contrário, é uma necessidade que me foi imposta. AI DE MIM SE EU NÃO ANUNCIAR O EVANGELHO. (I Cor 9,16)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

COMO PREPARAR-SE PARA PRATICAR O JEJUM?

O jejum é um sinal externo da conversão do coração. Portanto, sua preparação exige um profundo exame de consciência e uma atitude de contrição, de arrependimento de nossas fraquezas e um propósito firme de mudança de vida.
Pela boca do profeta Isaías, o Senhor revela o sentido da conversão que deve acompanhar o
jejum: “Sabeis qual é o jejum que eu aprecio? - diz o Senhor Deus: É romper as cadeias injustas,
desatar as cordas do jugo, mandar embora livres os oprimidos, e quebrar toda espécie de jugo” (Is 58, 6).

 COMO PRATICAR O JEJUM?

O jejum deve estar associado a uma visão positiva da vida espiritual, o que impede que seja compreendido como uma pena ou sacrifício ruim. Deve, portanto, expressar a alegria, a fé e a esperança. É Jesus mesmo quem nos ensina a esse respeito: “Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que jejuam. (...) Quando jejuares, perfuma a tua cabeça e lava teu rosto Assim não parecerá aos homens que jejuas, mas somente a teu Pai, que vê no segredo” (Mt 6,16-18).

QUAIS OS BENEFÍCIOS E EFEITOS DO JEJUM?

Os benefícios do jejum vão além da vida espiritual. Eles cobrem muitos aspectos da vida humana. Além do domínio dos vícios, o jejum enobrece a mente, auxilia alcançar as virtudes da sabedoria, da prudência e temperança, promove o bem-estar, recupera as perdas espirituais e nos prepara para a batalha do dia-a-dia da fé; por isto é eficaz em quatro áreas fundamentais.
a) Alimentar e física:
• Disciplina a forma desordenada e irregular de comer e o mau hábito de beliscar entre asrefeições, fumar, tomar café, chás, doces, lanches e refrigerantes, a todo instante;
• Elimina o reprovável desperdício e ensina a conhecer o valor nutritivo dos alimentos vegetais e animais e a importância dos produtos naturais, orgânicos;
• Torna o corpo mais saudável através do bom funcionamento do sistema digestivo e possibilita aumento a expectativa de vida.
b) Mental e psicológica:
• Mantém a mente descansada, mais aberta e sensível às coisas espirituais, atividades e à criatividade intelectual em diversas áreas;
• Aumenta a estabilidade mental e psicológica através do domínio das emoções, torna o corpo leve, ativo e incansável (a história demonstra que os filósofos pagãos, na Grécia antiga, para um melhor desempenho intelectual, jejuavam espontaneamente antes de entrarem em debates públicos).
c) Moral e religiosa:
• Supera as dependências e apegos às coisas materiais supérfluas e amplia a consciência do ser;
• Fortalece a vontade, renova a força moral e consolida os verdadeiros valores e a fé;
• Estimula a partilha com generosidade e abre o nosso coração à caridade, oferecendo aos necessitados, os que sofrem, aquilo que vem a sobrar em nossas despensas: “Boa coisa é a oração acompanhada de jejum, e a esmola é preferível aos tesouros de ouro escondidos” (Tb 12,8)
• Traz o domínio sobre a presunção, a indolência espiritual e moral e intensifica a genuína piedade.
d) Vida de fé:
• Prepara para uma intensa participação nos mistérios da Fé, nos Sacramentos, em particular da Penitência ou Confissão e da Eucaristia.
E produz:
• Maior qualidade de vida interior, vida na graça e união íntima, real, natural, pessoal e constante com Deus;
• Docilidade e abertura às inspirações do Espírito Santo;
• Maior silêncio, busca da meditação, confiança e disposição para a adoração;
• Maior disponibilidade para servir, para a missão e para o próximo;
• Libertação a partir da renúncia à gula, luxúria, preguiça e demais pecados capitais;
• É uma poderosa arma contra as tentações do Inimigo;
• Portanto não deve ser visto como um dever, mas um direito que nos abre à Graça.

 QUAIS OS PREJUÍZOS QUANDO NÃO PRATICAMOS O JEJUM?

O maior prejuízo, sem dúvida, é deixar-se levar pelas tendências humanas da “vida segundo a carne”, como nos ensina São Paulo (Rm 8). Não se trata de viver o dualismo corpo e espírito, muito enfatizado na Idade Média, que via como mal e pecaminoso tudo o que se relacionava aocorpo. Isso, de fato, é um exagero e não corresponde à doutrina cristã: Deus, que criou-nos também o corpo, “viu que tudo era bom” (Gn 1,31).

QUAL A REGULARIDADE PARA PRATICAR O JEJUM?

O jejum não deve ser praticado em demasia e exagero, pois isso causa prejuízo ao corpo,constituindo-se nesse caso um mal e não um bem. É preciso bom senso e equilíbrio. No Código de Direito Canônico, a Igreja nos ensina que “os dias e tempos penitenciais, em toda a Igreja, são todas as sextas-feiras do ano e o tempo da quaresma” (Cân. 1250). E ainda: “Observe-se a abstinência de carne ou de outro alimento,
segundo as prescrições da conferência dos Bispos, em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades; observem-se a abstinência e o jejum na quarta-feira de Cinzas e na sexta-feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Can. 1251).
Há também a orientação da Igreja para o jejum que prepara a participação na Eucaristia: “Quem vai receber a Santíssima Eucaristia abstenha-se de qualquer comida ou bebida, excetuandose somente água e remédio no espaço de ao menos uma hora antes da sagrada comunhão” (Can.919).

QUEM PODE E QUEM DEVE PRATICAR O JEJUM?

Conforme o ensinamento da Igreja, no Código de Direito Canônico, “todos os fiéis, cada qual a seu modo, estão obrigados por lei divina a fazer penitência; mas, para que todos estejam unidos mediante certa observância comum da penitência, são prescritos dias penitenciais, em que os fiéis se dediquem de modo especial à oração, façam obras de piedade e caridade, renunciem a si mesmos, cumprindo ainda mais fielmente as próprias obrigações e observando principalmente o jejum e a abstinência, de acordo com os cânones seguintes” (Can. 1249).
A Igreja também ensina que “estão obrigados à lei da abstinência aqueles que tiverem completado catorze anos de idade; estão obrigados à lei do jejum todos os maiores de idade até os sessenta anos começados. Todavia, os pastores de almas e os pais cuidem que sejam formados para o genuíno sentido da penitência também os que não estão obrigados à lei do jejum e da abstinência em razão da pouca idade” (Can. 1252).

Um comentário:

  1. PARABÉNS PELA ATITUDE DE EVANGELIZAÇÃO.

    QUE DEUS TE ABENÇOE

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