" Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim; pelo contrário, é uma necessidade que me foi imposta. AI DE MIM SE EU NÃO ANUNCIAR O EVANGELHO. (I Cor 9,16)

terça-feira, 19 de abril de 2011

SEGUNDO A BÍBLIA O QUE DEUS NOS FALA SOBRE A RECONCILIAÇÃO.

Do Gênesis ao Apocalipse reconhecemos as linhas da história da salvação, onde o Deus-
Amor quer estabelecer os vínculos com sua criatura “feita à sua imagem” e amada com amor de
predileção. Embora não possamos nos deter exaustivamente aqui em analisar toda a tradição
bíblica, vamos acenar para alguns pontos.
A Palavra de Deus revela a condição humana, na qual todos somos pecadores: “Se
dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós” (1 Jo
1, 8). Todo o Antigo testamento é uma expressão viva do amor de Deus que quer restabelecer a
Aliança, tantas vezes destruída pela nossa infidelidade.
Em Jesus, contudo, o coração misericordioso do Pai se derrama em amor e compaixão pelos
homens. Mas, Deus não nos força a aceitar a redenção. Por isso, Jesus nos convida à conversão: “O
tempo chegou ao seu termo, o Reino de Deus está próximo: convertei-vos e acreditai na boa-nova”
(Mc 1,15). A conversão é, pois, uma atitude pessoal que deve nascer do amor a Deus despertado
pelo Seu Amor por nós. É Deus, pois, que com Seu Amor nos ajuda a dar o passo da conversão: a
conversão, assim, também é dom de Deus operado em nós, como expressa o livro das Lamentações
“Convertei-nos, Senhor, e seremos convertidos” (Lm 5, 21).
Jesus nos ensinou a rezar pedindo perdão a Deus: “Perdoai-nos as nossas ofensas” (Lc 11, 4)
e mostrou que só Deus perdoa os pecados (Mc 2,7). Mas, mostrou também que o Filho do Homem
tem poder de perdoar os pecados (Mc 2,10) e Jesus exerce este poder: “Teus pecados estão
perdoados” (Mc 2,5; Lc 7,48).
Em virtude de sua autoridade divina, Jesus transmite o poder de perdoar os pecados aos
homens, para que o exerçam em seu nome (Jo 20, 21-23 e Catecismo, n. 1441). Jesus “confiou o
exercício do poder de absolvição ao ministério apostólico. É este que está encarregado do
‘ministério da reconciliação’ (2Cor 5, 18). O apóstolo é enviado ‘em nome de Cristo’ e ‘é o próprio
Deus’ que, através dele, exorta e suplica: ‘Deixai-vos reconciliar com Deus’ (2Cor 5, 20)”
(Catecismo, n. 1442).
E ainda diz o Catecismo:
“Ao tornar os Apóstolos participantes do seu próprio poder de perdoar os pecados, o
Senhor dá-lhes também autoridade para reconciliar os pecadores com a Igreja. Esta
dimensão eclesial do seu ministério exprime-se, nomeadamente, na palavra solene de
Cristo a Simão Pedro: ‘Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus; tudo o que ligares na terra
ficará ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra ficará desligado nos céus’ (Mt 16,
19). Este mesmo encargo de ligar e desligar, conferido a Pedro, foi também atribuído ao
colégio dos Apóstolos unidos à sua cabeça (Mt 18,18; 28, 16-20)” (Catecismo, n. 1444).
A Palavra de Deus também nos ensina que é o Espírito Santo quem nos convence a respeito
do pecado (Jo 16, 8-9). O Espírito Santo “dá ao coração do homem a graça do arrependimento e da
conversão” (Catecismo, n. 1433 e At 2,36-38). São Paulo afirma, pois: “Vós fostes lavados, fostes
santificados, fostes justificados pelo nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus” (1
Cor 6, 11).
A Bíblia ainda revela que a Eucaristia também é sinal da misericórdia de Deus que se
derrama sobre nós, pecadores: “Isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, que é derramado por
muitos para a remissão dos pecados” (Mt 26,28), são as palavras de Jesus repetidas no rito
eucarístico da consagração. Recordando o ensinamento do Concílio de Trento, o Catecismo nos diz
19
que a Eucaristia “é o antídoto que nos livra das faltas quotidianas e nos preserva dos pecados
mortais” (Catecismo, n. 1436).
Iluminados pela Palavra de Deus, devemos nos esforçar para sermos “santos e imaculados
na sua presença” (Ef 1, 4). Devemos viver o amor e a misericórdia, como resposta ao amor e à
misericórdia que Deus tem por nós, pois só o amor “cobre uma multidão de pecados” (1Pe 4, 8).

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