" Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim; pelo contrário, é uma necessidade que me foi imposta. AI DE MIM SE EU NÃO ANUNCIAR O EVANGELHO. (I Cor 9,16)

sábado, 30 de abril de 2011

COMO LER A BÍBLIA?

Um dos métodos para transformar a Bíblia como itinerário de oração é o que conhecemos
por Lectio Divina. Ele é composto de quatro momentos interligados. Mas atenção é preciso dar um
tempo diário da nossa vida para Deus, realmente privilegiar essa prática ou outras que nos ajudam a
tomar intimidade com a Bíblia.
Os momentos são:

Leitura: Lê-se, em primeiro lugar, a sós ou em grupo, uma passagem da Escritura;

Meditação: Segue-se um tempo de meditação, que é um aprofundamento do sentido do que
se leu, apelando à inteligência, à memória, à imaginação e ao desejo, eventualmente com a partilha
da palavra;

Oração: Na medida em que se vai escutando o que Deus diz, o fiel responde com a oração,
que pode ser de arrependimento, de ação de graças, de intercessão, de súplica ou de louvor;

Contemplação: Na medida da graça do Espírito Santo, esta oração desabrocha em
saborosos momentos de contemplação, que tornam mais viva e íntima a comunhão com Deus, e
predispõe a alma para uma vida mais santa e mais ativa na realização do Reino de Deus.

QUAL A REGULARIDADE PARA LER A BÍBLIA? QUEM PODE LER A BÍBLIA?

A Bíblia deve ter um lugar de destaque em nossa vida, portanto, o ideal é que seja lida
diariamente e principalmente que todos os cristãos a leiam e tenham por ela apreço e respeito. Com
isso teremos cristãos mais apaixonados e conscientes do valor da Sagrada Escritura.
“Esta leitura orante, bem praticada, conduz ao encontro com Jesus-Mestre, ao conhecimento
do mistério de Jesus-Messias, à comunhão com Jesus-Filho de Deus e ao testemunho de Jesus-
Senhor do universo. Com seus quatro momentos (leitura, meditação, oração, contemplação), a
leitura orante favorece o encontro pessoal com Jesus Cristo semelhante ao modo de tantos
personagens do evangelho: Nicodemos e sua ânsia de vida eterna (cf. Jo 3,1-21), a Samaritana
e seu desejo de culto verdadeiro (cf. Jo 4,1-12), o cego de nascimento e seu desejo de luz
interior (cf. Jo 9), Zaqueu e sua vontade de ser diferente (cf. Lc 19,1-10)... Todos eles, graças a
este encontro, foram iluminados e recriados porque se abriram à experiência da misericórdia
do Pai que se oferece por sua Palavra de verdade e vida. Não abriram seu coração para algo
do Messias, mas ao próprio Messias, caminho de crescimento na “maturidade conforme a sua
plenitude” (Ef 4,13), processo de discipulado, de comunhão com os irmãos e de compromisso
com a sociedade.”
Documento de Aparecida, n. 249.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

QUAIS OS BENEFÍCIOS E EFEITOS DA LEITURA ORANTE DA BÍBLIA?

O distanciamento dos católicos desta riqueza inesgotável preocupa a Igreja. Da Palavra de
Deus encontramos Jesus Cristo, a Revelação de Deus aos homens, a salvação da humanidade e a
garantia da vida eterna.
Lutemos por dedicar um tempo para a leitura da Bíblia entre as famílias, nas pastorais, nos
movimentos, enfim, que em nossas comunidades, ela seja lembrada o ano todo e não apenas em
Setembro durante o mês da Bíblia.
Diz São Jerônimo: “A carne do Senhor é verdadeira comida e o seu sangue verdadeira
bebida; é esse o verdadeiro bem que nos é reservado na vida presente: alimentar-nos da sua carne e
beber o seu sangue, não só na Eucaristia, mas também na leitura da Sagrada Escritura.
A Palavra de Deus ilumina a vida dos católicos e está presente na comunidade reunidas em
diversas ações: catequese, liturgia e oração, nos sacramentos, nos cursos e encontros de formação,
etc. Afastar-se dela é perder um importante alimento para a nossa vida interior e de crescimento na
escola da fé.

 QUAIS OS PREJUÍZOS QUANDO NÃO ESTUDAMOS A BÍBLIA?

O discípulo missionário do século XXI precisa estar fundamentado nas Sagradas Escrituras,
sua missão vai ser proclamar àquilo que lê, crê e celebra a partir do seu encontro pessoal com Jesus
Cristo. O anúncio do Evangelho atinge o coração do ser humano quando nos abrimos a experiência
do amor de Deus e da misericórdia contida na Palavra de Deus.
Se nossa experiência com Deus não parte da Sagrada Escritura perdemos uma fonte sagrada
que nos leva a Santidade, além é claro, de dirigirmos nossa vida pela nossa vontade humana e não
pela vontade divina. E infelizmente nos guiamos por outros caminhos que nós conhecemos, por
exemplo, televisão, internet, etc, que nem sempre nos levam para Deus.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

COMO PREPARAR-SE PARA LER A BÍBLIA.

Para conhecermos Jesus Cristo, reconhecê-lo como filho de Deus e orientarmos nossa vida
conforme o anúncio Evangelho, é necessário irmos direto na fonte da verdade, que está contida nas
linhas e páginas das nossas Bíblias.
Esse é o caminho para consolidarmos nossa intimidade com Jesus Cristo, tê-lo como aquele
amigo que está sempre ao nosso lado, e não como uma pessoa distante ou indiferente a nossa
realidade.
Na Palavra de Deus encontramos toda a História da Salvação (Antigo e Novo Testamento),
não é uma história qualquer, é a revelação do mistério de Deus aos homens. Esta nos acompanha
desde o início da nossa criação até o fim de nossa peregrinação sobre a terra.
Deixando ser guiados pelas orientações e ensinamentos da Palavra de Deus, os cristãos serão
capazes de responder às exigências do mundo atual no tocante as diversas injustiças que
acompanhamos e presenciamos.
Seremos uma comunidade reflexo do amor de Deus no seio do mundo, nossas obras e nosso
testemunho serão frutos da ação do Espírito Santo e do conhecimento da Bíblia.Não precisaremos
ter medo de palavras humanas, mas o próprio Deus nos inspirará a falarmos as suas palavras. Além
é claro de dar razoes da sua fé (Ler 1 Pe 3,15).

 SEGUNDO A BÍBLIA O QUE DEUS NOS FALA SOBRE A SUA PALAVRA.

“A Palavra de Cristo habite em vós com abundância, para vos instruirdes e aconselhardes uns
aos outros, com toda a sabedoria. E, com salmos, hinos e cânticos inspirados, cantai de todo o
coração a Deus a vossa gratidão. E tudo o que fizerdes por palavras ou por obras, seja tudo em
nome do Senhor Jesus, dando graças, por Ele, a Deus Pai” (Col 3, 16-17).

É necessário que o homem contemporâneo tome contato com a Palavra de Deus. A falta de
orientação e conhecimento faz o ser humano buscar caminhos para Deus em realidades diversas e
por muitas vezes confusas. A Palavra do nosso Deus permanece eternamente (Is 40,8). É fonte de
verdade e de satisfação para o homem.
“É tão grande a força poderosa que se encerra na palavra de Deus, que ela constitui sustentáculo
vigoroso para a Igreja, firmeza na fé para seus filhos, alimento da alma, perene e pura fonte da
vida espiritual.” (Dei Verbum, n. 21)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O QUE A IGREJA FALA SOBRE A BÍBLIA.

A Palavra de Deus tem sido algo de profunda reflexão na Igreja Católica. Há um clamor em todas
as comunidades para que a Sagrada Escritura seja realmente mais valorizada, mais vivida, mais
amada e mais lida. Não é em vão que os Bispos do mundo inteiro estão estudando este tema no
Sínodo Geral: A PALAVRA DE DEUS NA VIDA E NA MISSÃO DA IGREJA.
Seu objetivo principal deste Sínodo é incentivar a prática do encontro com Jesus Cristo na
Sagrada Escritura.
Fazendo uma pequena comparação, por exemplo, quando compramos um aparelho
eletrônico (televisão, DVD, celular, etc), esses produtos vem com um manual que orienta para o seu
uso correto. Da mesma forma quando queremos conhecer a história de alguém famoso (um santo,
uma santa, um rei, uma rainha, etc), fazemos uso da biografia dessas pessoas. Dessa maneira nós
acabamos conhecendo como não estragar os aparelhos eletrônicos e a história de uma pessoa
humana.
“Encontramos Jesus na Sagrada Escritura, lida na Igreja. A Sagrada Escritura, “Palavra de
Deus escrita por inspiração do Espírito Santo”, é, com a Tradição, fonte de vida para a Igreja e
alma de sua ação evangelizadora. Desconhecer a Escritura é desconhecer Jesus Cristo e
renunciar a anunciá-lo.”
Documento de Aparecida, n. 247.

Aqui está à chave para tomarmos a Palavra de Deus como fonte de inspiração para as nossas
vidas. Para o Povo de Deus, a Bíblia é lugar privilegiado no qual encontra-se a sua história e
experiência pessoal com Deus. Este conjunto de Livros modificou a estrutura da história humana,
tamanha é a profundidade e o irresistível conteúdo contido nestas sagradas páginas.
A Bíblia não foi feita por mentes humanas, mais inspirada por Deus através de diversos
autores. Em comum tiveram a preocupação em manter a história e a identidade de um povo amado e
escolhido. A bíblia possui dois testamentos: o Antigo e o Novo, o primeiro preparou a vinda do
messias, Jesus Cristo, narrada no Novo Testamento.

"Testamento" tem aqui o sentido antigo de "pacto atestado", pois a experiência religiosa de
Israel se apresenta em forma de um pacto, uma aliança oferecida por Deus ao "povo eleito",
Israel, e, segundo os cristãos, renovada e ampliada por Jesus de Nazaré para o mundo inteiro.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Confissão...

QUAIS OS PREJUÍZOS QUANDO NÃO CONFESSAMOS REGULARMENTE?

O maior prejuízo da falta de confissão regular é viver longe da graça de Deus.
Comprometemos e colocamos em risco, assim, a nossa própria salvação. “Deus nos criou sem nós,
mas não quis salvar-nos sem nós” (Santo Agostinho). Por isso, sem nossa atitude livre e decidida de
recorrer ao perdão de Deus e de nos converter, Deus não pode nos salvar.
Precisamos entender que “a confissão regular dos nossos pecados veniais ajuda-nos a formar
a nossa consciência, a lutar contra as más inclinações, a deixarmo-nos curar por Cristo, a progredir
na vida do Espírito. Recebendo com maior freqüência, neste sacramento, o dom da misericórdia do
Pai, somos levados a ser misericordiosos como Ele” (Catecismo, 1458).

QUAL A REGULARIDADE DA CONFISSÃO?

A Igreja nos ensina que a confissão deve ser buscada “ao menos uma vez ao ano”
(Catecismo, n. 1457). Contudo, não devemos nos contentar com o mínimo. Jesus mesmo fala,
referindo-se à pecadora que sentou-se a seus pés na casa de Simão: “A quem muito amou, muito foi
perdoado”. Quanto mais amamos a Deus, mais somos por ele perdoados. Quanto mais recorremos
ao Seu Amor, mais Ele desce a nós e nos faz viver em comunhão com Seu Espírito. Por isso, a
Igreja também afirma que “Sem ser estritamente necessária, a confissão das faltas quotidianas
(pecados veniais) é contudo vivamente recomendada pela Igreja” (Catecismo, n. 1458).
No caso de pecados graves, no entanto, a Igreja assim ensina:
“Aquele que tem consciência de haver cometido um pecado mortal, não deve receber a
sagrada Comunhão, mesmo que tenha uma grande contrição, sem ter previamente
recebido a absolvição sacramental; a não ser que tenha um motivo grave para comungar
e não lhe seja possível encontrar-se com um confessor” (Catecismo, n. 1457).

 QUEM PODE SE CONFESSAR?

Conforme a recomendação da Igreja, “todo o fiel que tenha atingido a idade da discrição,
está obrigado a confessar fielmente os pecados graves, ao menos uma vez ao ano” (Catecismo, n.
1457) e, ainda: “As crianças devem aceder ao sacramento da Penitência antes de receberem pela
primeira vez a Sagrada Comunhão” (Catecismo, n. 1457).
Há ainda um outro aspecto: a confissão deve ser buscada por aqueles cristãos que, de fato,
querem (e podem) realizar a conversão de vida. Não é lícito buscar o sacramento sem sincero
arrependimento e mudança de vida. Se eu busco o sacramento, mas não quero deixar de viver como
estava vivendo, em estado de pecado, estou abusando da graça de Deus.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

QUAIS OS BENEFÍCIOS E EFEITOS DA CONFISSÃO?

O maior benefício da confissão é voltar a viver “de acordo com Deus”, como Santo
Agostinho escreveu:
“Aquele que confessa os seus pecados e os acusa, já está de acordo com Deus. Deus
acusa os teus pecados; se tu também os acusas, juntas-te a Deus. O homem e o pecador
são, por assim dizer, duas realidades distintas. Quando ouves falar do homem, foi Deus
que o criou: quando ouves falar do pecador, foi o próprio homem quem o fez. Destrói o
que fizeste, para que Deus salve o que fez. [...] Quando começas a detestar o que fizeste,
é então que começam as tuas boas obras, porque acusas as tuas obras más. O princípio
das obras boas é a confissão das más. Praticaste a verdade e vens à luz” (Cf. Catecismo,
n. 1458).
A confissão opera em nós duas reconciliações, o restabelecimento de dois laços: com Deus e
com a Igreja, como já dissemos, mas é preciso sublinhar novamente. De fato, “toda a eficácia da
Penitência consiste em nos restituir à graça de Deus e em unir-nos a Ele numa amizade perfeita. O
fim e o efeito deste sacramento são, pois, a reconciliação com Deus” (Catecismo, n. 1468). Por
outro lado, “este sacramento reconcilia-nos com a Igreja. O pecado abala ou rompe a comunhão
fraterna. O sacramento da Penitência repara-a ou restaura-a. Nesse sentido, não se limita apenas a
curar aquele que é restabelecido na comunhão eclesial, mas também exerce um efeito vivificante
sobre a vida da Igreja que sofreu com o pecado de um dos seus membros” (Catecismo, 1469).

sábado, 23 de abril de 2011

Oração a Jesus Ressuscitado


Jesus ressuscitado, que destes a paz aos apóstolos, reunidos em oração, dizendo-lhes: “A paz esteja convosco”, concedei-nos o dom da paz.  Defendei-nos do mal e de todas as formas de violência que agitam a nossa sociedade, para que tenhamos uma vida digna, humana e fraterna.
Ó Jesus, que morrestes e ressuscitastes por amor, afastai de nossas famílias e da sociedade todas as formas de desesperança e desânimo, para que vivamos como pessoas ressuscitadas e sejamos portadores de vossa paz.  Amém!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Paixão de Cristo, confortai-me.























Alma de Cristo, santificai-me.
 
   Corpo de Cristo, salvai-me.
 
   Sangue de Cristo, inebriai-me.
 
   Água do lado de Cristo, lavai-me.
 
   Paixão de Cristo, confortai-me.
 
   Ó bom Jesus, ouvi-me.
 
   Dentro de Vossas chagas, escondei-me.
 
   Não permitais que me separe de Vós.
 
   Do espírito maligno, defendei-me.
 
   Na hora da minha morte, chamai-me.
 
   E mandai-me ir para Vós, para que Vos louve com os vossos Santos, por todos os séculos dos séculos.
 
Amém.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A IGREJA ADOTA A CONFISSÃO COMUNITÁRIA?

Sobre este ponto, de particular atenção, vejamos o que nos diz a Igreja:
“A confissão individual e íntegra e a absolvição constituem o único modo ordinário pelo
qual o fiel, consciente de pecado grave, se reconcilia com Deus e com a Igreja: somente
a impossibilidade física ou moral o escusa desta forma de confissão. Há razões
profundas para que assim seja. Cristo age em cada um dos sacramentos. Ele dirige-Se
pessoalmente a cada um dos pecadores: ‘Meu filho, os teus pecados são-te perdoados’
(Mc 2, 5); Ele é o médico que Se inclina sobre cada um dos doentes com necessidade
d'Ele para os curar: alivia-os e reintegra-os na comunhão fraterna. A confissão pessoal é,
pois, a forma mais significativa da reconciliação com Deus e com a Igreja” (Catecismo,
n. 1484).
Contudo, a Igreja também reconhece a necessidade da confissão com absolvição geral.
Vejamos o texto do Catecismo a este respeito:

“Em casos de grave necessidade, pode-se recorrer à celebração comunitária da
reconciliação, com confissão geral e absolvição geral. Tal necessidade grave pode
ocorrer quando há perigo iminente de morte, sem que o sacerdote ou os sacerdotes
tenham tempo suficiente para ouvir a confissão de cada penitente. A necessidade grave
pode existir também quando, tendo em conta o número dos penitentes, não há
confessores bastantes para ouvir devidamente as confissões individuais num tempo
razoável, de modo que os penitentes, sem culpa sua, se vejam privados, durante muito
tempo, da graça sacramental ou da sagrada Comunhão. Neste caso, para a validade da
absolvição, os fiéis devem ter o propósito de confessar individualmente os seus pecados
graves em tempo oportuno. Pertence ao bispo diocesano julgar se as condições
requeridas para a absolvição geral existem. Uma grande afluência de fiéis, por ocasião
de grandes festas ou de peregrinações, não constitui um desses casos de grave
necessidade” (Catecismo, n. 1483).

quarta-feira, 20 de abril de 2011

COMO PREPARAR-SE PARA O SACRAMENTO DA RECONCILIAÇÃO.

A preparação para o sacramento da reconciliação começa pelo exame de consciência, pelo
qual revemos nossas ações, pensamentos e atitudes e os comparamos com aquilo que Deus quer. A
vontade de Deus e seus mandamentos devem ser a nossa referência de vida e, portanto, a baliza de
nosso exame de consciência. Deus respeita nossa consciência, Ele não nos invade, mas nos convida
a nós mesmos reconhecermos nossa pequenez e limitação, derramando nossa alma na presença do
Senhor (1Sm 1,15).
O exame de consciência leva ao arrependimento sincero ou contrição. Quando percebo que
minhas atitudes e ações não correspondem ao que Deus quer, o Amor de Deus acende em nós
aquela saudade de viver perto de Deus. É esta saudade de Deus que nos leva ao arrependimento.
Vale a pena rezar o Salmo 50, para compreender a dinâmica de um coração arrependido.
Acima de tudo, o exame de consciência e o arrependimento devem estar assentados numa
atitude interior, como nos ensina o Catecismo:
“Como já acontecia com os profetas, o apelo de Jesus à conversão e à penitência não
visa primariamente as obras exteriores, ‘o saco e a cinza’, os jejuns e as mortificações,
mas a conversão do coração, a penitência interior: Sem ela, as obras de penitência são
estéreis e enganadoras; pelo contrário, a conversão interior impele à expressão dessa
atitude cm sinais visíveis, gestos e obras de penitência” (Catecismo, n. 1430).
Portanto, “a conversão é, antes de mais, obra da graça de Deus, a qual faz com que os nossos
corações se voltem para Ele” (Catecismo, n. 1431). Esta disposição de voltar-se para Deus constitui
o elemento fundamental da preparação para a confissão.

terça-feira, 19 de abril de 2011

SEGUNDO A BÍBLIA O QUE DEUS NOS FALA SOBRE A RECONCILIAÇÃO.

Do Gênesis ao Apocalipse reconhecemos as linhas da história da salvação, onde o Deus-
Amor quer estabelecer os vínculos com sua criatura “feita à sua imagem” e amada com amor de
predileção. Embora não possamos nos deter exaustivamente aqui em analisar toda a tradição
bíblica, vamos acenar para alguns pontos.
A Palavra de Deus revela a condição humana, na qual todos somos pecadores: “Se
dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós” (1 Jo
1, 8). Todo o Antigo testamento é uma expressão viva do amor de Deus que quer restabelecer a
Aliança, tantas vezes destruída pela nossa infidelidade.
Em Jesus, contudo, o coração misericordioso do Pai se derrama em amor e compaixão pelos
homens. Mas, Deus não nos força a aceitar a redenção. Por isso, Jesus nos convida à conversão: “O
tempo chegou ao seu termo, o Reino de Deus está próximo: convertei-vos e acreditai na boa-nova”
(Mc 1,15). A conversão é, pois, uma atitude pessoal que deve nascer do amor a Deus despertado
pelo Seu Amor por nós. É Deus, pois, que com Seu Amor nos ajuda a dar o passo da conversão: a
conversão, assim, também é dom de Deus operado em nós, como expressa o livro das Lamentações
“Convertei-nos, Senhor, e seremos convertidos” (Lm 5, 21).
Jesus nos ensinou a rezar pedindo perdão a Deus: “Perdoai-nos as nossas ofensas” (Lc 11, 4)
e mostrou que só Deus perdoa os pecados (Mc 2,7). Mas, mostrou também que o Filho do Homem
tem poder de perdoar os pecados (Mc 2,10) e Jesus exerce este poder: “Teus pecados estão
perdoados” (Mc 2,5; Lc 7,48).
Em virtude de sua autoridade divina, Jesus transmite o poder de perdoar os pecados aos
homens, para que o exerçam em seu nome (Jo 20, 21-23 e Catecismo, n. 1441). Jesus “confiou o
exercício do poder de absolvição ao ministério apostólico. É este que está encarregado do
‘ministério da reconciliação’ (2Cor 5, 18). O apóstolo é enviado ‘em nome de Cristo’ e ‘é o próprio
Deus’ que, através dele, exorta e suplica: ‘Deixai-vos reconciliar com Deus’ (2Cor 5, 20)”
(Catecismo, n. 1442).
E ainda diz o Catecismo:
“Ao tornar os Apóstolos participantes do seu próprio poder de perdoar os pecados, o
Senhor dá-lhes também autoridade para reconciliar os pecadores com a Igreja. Esta
dimensão eclesial do seu ministério exprime-se, nomeadamente, na palavra solene de
Cristo a Simão Pedro: ‘Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus; tudo o que ligares na terra
ficará ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra ficará desligado nos céus’ (Mt 16,
19). Este mesmo encargo de ligar e desligar, conferido a Pedro, foi também atribuído ao
colégio dos Apóstolos unidos à sua cabeça (Mt 18,18; 28, 16-20)” (Catecismo, n. 1444).
A Palavra de Deus também nos ensina que é o Espírito Santo quem nos convence a respeito
do pecado (Jo 16, 8-9). O Espírito Santo “dá ao coração do homem a graça do arrependimento e da
conversão” (Catecismo, n. 1433 e At 2,36-38). São Paulo afirma, pois: “Vós fostes lavados, fostes
santificados, fostes justificados pelo nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus” (1
Cor 6, 11).
A Bíblia ainda revela que a Eucaristia também é sinal da misericórdia de Deus que se
derrama sobre nós, pecadores: “Isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, que é derramado por
muitos para a remissão dos pecados” (Mt 26,28), são as palavras de Jesus repetidas no rito
eucarístico da consagração. Recordando o ensinamento do Concílio de Trento, o Catecismo nos diz
19
que a Eucaristia “é o antídoto que nos livra das faltas quotidianas e nos preserva dos pecados
mortais” (Catecismo, n. 1436).
Iluminados pela Palavra de Deus, devemos nos esforçar para sermos “santos e imaculados
na sua presença” (Ef 1, 4). Devemos viver o amor e a misericórdia, como resposta ao amor e à
misericórdia que Deus tem por nós, pois só o amor “cobre uma multidão de pecados” (1Pe 4, 8).

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O QUE A IGREJA FALA SOBRE A RECONCILIAÇÃO.

O Catecismo da Igreja Católica é, sem dúvida, a grande referência da palavra da Igreja sobre
as verdades da fé, incluindo o sacramento da reconciliação. Ele faz alusão a outros textos
importantes do magistério da Igreja (os escritos dos papas, documentos do Concílio Vaticano II,
etc).
A reconciliação deve ser compreendida à luz do ensinamento da Igreja sobre o pecado.
Convido você a dedicar algum tempo para estudar o que o Catecismo nos ensina sobre este tema (n.
1846-1876). A melhor síntese do que é o pecado foi descrita por Santo Agostinho, que escreveu: “O
pecado é amor de si mesmo até ao desprezo de Deus”. Santo Agostinho, sem dúvida, viveu a
experiência do pecado e da misericórdia, como nos relata em suas Confissões. Por isso, ele é aqui
citado diversas vezes, como uma referência pessoal, mas também como o maior representante da
tradição patrística da Igreja.
Onde o pecado manifestou toda sua força e violência? O Catecismo responde a esta pergunta
dizendo:
“É precisamente na paixão, em que a misericórdia de Cristo o vai vencer, que o pecado
manifesta melhor a sua violência e a sua multiplicidade: incredulidade, ódio assassino,
rejeição e escárnio por parte dos chefes e do povo, cobardia de Pilatos e crueldade dos
soldados, traição de Judas tão dura para Jesus, negação de Pedro e abandono dos
discípulos. No entanto, mesmo na hora das trevas e do príncipe deste mundo, o sacrifício
de Cristo torna-se secretamente a fonte de onde brotará, inesgotável, o perdão dos nossos
pecados” (Catecismo, n. 1851).
O Concílio Vaticano II nos ensina que a reconciliação tem um duplo sentido: em primeiro
lugar, refere-se ao nosso reencontro com Deus; em segundo lugar, significa também nossa
reconciliação com a Igreja: “Aqueles que se aproximam do sacramento da Penitência obtêm da
misericórdia de Deus o perdão da ofensa a Ele feita e, ao mesmo tempo, são reconciliados com a
Igreja, que tinham ferido com o seu pecado, a qual, pela caridade, exemplo e oração, trabalha pela
sua conversão” (LG, 11).
O Catecismo reforça este ensinamento, quando escreve:
“O pecado é, antes de mais, ofensa a Deus, ruptura da comunhão com Ele. Ao mesmo
tempo, é um atentado contra a comunhão com a Igreja. É por isso que a conversão traz
consigo, ao mesmo tempo, o perdão de Deus e a reconciliação com a Igreja, o que é
expresso e realizado liturgicamente pelo sacramento da Penitência e Reconciliação”
(Catecismo, n. 1440).
Chamamos a atenção para o uso que a Igreja faz de diferentes nomes para esse sacramento.
Cada um deles indica uma direção diferente, que não se opõem nem se excluem, mas se
complementam. Cada um deles mostra uma ênfase distinta, como as várias faces de um diamante:
1) a penitência acena mais para o sacrifício, a pena, a expiação do pecado; ela
“consagra um esforço pessoal e eclesial de conversão, de arrependimento e de satisfação do
cristão pecador” (Catecismo, n. 1423);
2) a confissão indica mais a atitude de assumir publicamente nossos erros e de
tomarmos consciência de nossa responsabilidade; a Igreja declara que “a confissão dos
pecados diante de um sacerdote é um elemento essencial desse sacramento” (Catecismo,
1424);
3) chama-se também sacramento do perdão, pois por meio dele Deus nos concede “o
perdão e a paz”, como reza a fórmula da absolvição;
4) por fim, é o sacramento da reconciliação que melhor explica a natureza e o
mistério desse sacramento: por ele, desfazemos o abismo que nos separou de Deus, reatamos
o nó que nos liga a Deus, voltamos à amizade e à convivência com Deus, como Jesus
mostrou pela parábola do filho pródigo (Lc 15, 11-32) e cumprimos aquilo que o Apóstolo
Paulo nos ensina: “Reconciliai-vos com Deus” (2Cor 5,20).
A Igreja também nos convida a observar os tempos propícios à conversão ao longo do ano
litúrgico:
“Os tempos e os dias de penitência no decorrer do Ano Litúrgico (tempo da Quaresma,
cada sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática
penitencial da Igreja. Estes tempos são particularmente apropriados para os exercícios
espirituais, as liturgias penitenciais, as peregrinações em sinal de penitência, as
privações voluntárias como o jejum e a esmola, a partilha fraterna (obras caritativas e
missionárias)” (Catecismo, n. 1438).

sábado, 16 de abril de 2011

Vamos reCristianizar a Páscoa?

Vamos recristianizar a Páscoa!
No dia 24 de abril, praticamente o mundo inteiro vai celebrar uma data que, a princípio, é cristã: a Páscoa. Digo a princípio porque, à semelhança do Natal, a Páscoa nem parece mais uma festa religiosa.
Vamos fazer uma comparação. Leia as duas músicas abaixo e diga qual é a que você mais escuta na época da Páscoa:

Cristo, nossa Páscoa (autor desconhecido)
Cristo, nossa Páscoa, foi imolado, aleluia!
Glória a Cristo, Rei, Ressuscitado, aleluia!
Páscoa Sagrada! Ó festa de luz!
Precisas despertar: Cristo vai te iluminar!
Páscoa Sagrada! Ó festa universal!
No mundo renovado, é Jesus glorificado!
Páscoa Sagrada! Vitória sem igual!
A cruz foi exaltada, foi a morte derrotada!
Páscoa Sagrada! Ó noite batismal!
De tuas águas puras, nascem novas criaturas!
Páscoa Sagrada! Banquete do Senhor!
Feliz a quem é dado, ser às núpcias convidado!
Páscoa Sagrada! Cantemos ao Senhor!
Vivamos a alegria, conquistada em meio à dor!



Coelhinho da Páscoa (Olga Bhering Pohlmann)
Coelhinho da Páscoa, que trazes pra mim?
Um ovo, dois ovos, três ovos assim!
Um ovo, dois ovos, três ovos assim!
Coelhinho da Páscoa, que cor eles têm?
Azul, amarelo e vermelho também!
Azul, amarelo e vermelho também!
Coelhinho da Páscoa, com quem vais dançar?
Com esta menina que sabe cantar!
Com esta menina que sabe cantar!
Coelhinho maroto, porque vais fugir?
Em todas as casas eu tenho que ir!
Em todas as casas eu tenho que ir!

Então? Essa festa que o mundo inteiro celebra é em homenagem ao Cristo Pascal ou ao Coelhinho da Páscoa? Parece óbvio que se homenageia o coelho que põe ovos!
Muito mais que o Natal, a Páscoa é a principal e mais importante celebração da Igreja. Isso porque foi neste evento que Nosso Senhor Jesus Cristo nos alcançou definitivamente a salvação! Pelo seu mistério pascal (Paixão-Morte-Ressurreição), a humanidade foi resgatada da escravidão do pecado e reconciliada com Deus. Esse é o sentido de se celebrar a Páscoa: a vitória da vida sobre a morte! E nós reduzimos essa grandiosidade a algumas guloseimas...
A primeira lembrança que eu tenho da Páscoa é justamente essa música do coelhinho, cantada na escola. As crianças iam para as aulas fantasiadas de coelhos, e havia gincanas para encontrar ovos de chocolate escondidos. Qual criança não gosta de chocolate e de um animal tão gracioso quanto um coelho? Essa festa, então, só podia fazer sucesso! Da mesma forma que eu esperava ansiosamente pelo Natal (para ganhar presentes), esperava pela festa da Páscoa (para ganhar ovos de chocolate). E a relação de Jesus com estas celebrações? Jesus? Quem é Jesus mesmo?
Até aí é compreensível. As escolas não têm a obrigação de ensinar preceitos religiosos. Mas e a catequese? Eu cheguei a participar de uma formação para catequistas em que nos ensinaram a cantar a música do coelhinho (olha ela de novo!) para mostrar às crianças da 1ª Eucaristia o valor da Páscoa (!).
Essa questão do coelho e dos ovos está tão absorvida pela sociedade que o mistério de Cristo está, há muito tempo, completamente eclipsado. Um exemplo claríssimo do que estou dizendo é a própria Semana Santa. A Missa de Ramos, as diversas procissões (do Encontro, do Senhor Morto...) e a Sexta-Feira da Paixão lotam as nossas igrejas e capelas... Mas quantas pessoas participam da Vigília Pascal e da Missa da Páscoa da Ressurreição? Os católicos morrem com Cristo na sexta-feira, mas se esquecem de ressuscitar com Ele no domingo! E tudo isso porquê? Por causa do bendito coelho...
Mas de onde vem esse personagem? De onde vêm os ovos? E por que são de chocolate? Muitos tentam forçar a barra e dar uma roupagem cristã a esses elementos: o coelho representa a fertilidade da Igreja, os ovos representam a vida que renasce e o chocolate a candura de Cristo... Ah, faça-me o favor!
Todos esses elementos são “importados” de culturas não-cristãs. O coelho é símbolo de fertilidade, mas não da Igreja, e sim dos cultos pagãos à natureza. Os ovos têm suas raízes nos cultos egípcios e celtas e o chocolate... Bem, o chocolate é uma jogada da indústria alimentícia, já no século XIX.
Sim, a Páscoa do Nosso Senhor converteu-se em mais uma festa consumista. Não bastasse a enxurrada de deliciosos ovos de chocolate, há inúmeros pacotes turísticos para “aproveitar” bem a Semana Santa: roteiros para Ilhéus, Porto de Galinhas, Salvador, Costa do Sauípe... São lugares maravilhosos, sem dúvida, mas essa é a época certa para um católico “pegar praia”?
Irmãos, vamos recristianizar a Páscoa! Temos que mostrar ao mundo o real significado desta data, que tem raízes na mais importante das festas judaicas. Cristo celebrou a Páscoa dos Judeus, e cumpriu toda a promessa contida nela. Ele é verdadeiro Cordeiro sacrifical, com Ele Deus sela conosco a nova e eterna Aliança!
Façamos ações concretas para esse fim, principalmente com relação às crianças. Vamos ensiná-las a cantar “Cristo, nossa Páscoa”, vamos levá-las a todas as celebrações da Semana Santa, vamos mostrar a elas que quem nos salva é Jesus, e não o coelho!
Rogo a Deus para que, no dia 24 de abril, possamos entoar alegremente com toda a Igreja o verdadeiro canto pascal:
Páscoa Sagrada! Ó festa universal!
No mundo renovado, é Jesus glorificado!
Cristo, nossa Páscoa, foi imolado, aleluia!
Glória a Cristo, Rei, Ressuscitado, aleluia!

João Paulo Veloso
Seminarista da Arquidiocese de Palmas
Coordenador Nacional do Ministério para Seminaristas

sexta-feira, 15 de abril de 2011

COMO DEVE SER A ORAÇÃO PESSOAL?

A oração pessoal deve antes de tudo ser pessoal, onde cada pessoa encontrará
seu próprio caminho na oração sendo guiado pelo Espírito Santo e norteado pelos ensinamentos
profundos que a Igreja nos deixou em sua riquíssima Tradição, a partir das diversas experiências
dos grandes santos e santas da Igreja. Cada um deve encontrar seu método de Oração Pessoal, e
a forma de oração pelo qual vai se identificando, passando pela Oração Vocal, de louvor e de
intercessão, adentrando nos esquemas místicos da meditação e da contemplação, como oração
mental, e perpassando pela Lectio Divina, leitura orante da Bíblia, ou pela Oração dos Salmos,
Liturgia das Horas, ou ainda pela Oração do Santo Terço, como devoção mariana, ou passando
pela invocação do nome de Jesus, mediante diversas jaculatórias, sendo que todas elas devem
convergir para o sentido último de nossa vida: a adoração.
O importante é encontrar-se naquela forma de oração que mais o identifica
com sua realidade existencial e com seus desejos espirituais de encontro com Deus; assim como
deve se priorizar antes de tudo a fidelidade à oração pessoal, na busca da união com Deus, e não
simplesmente de sentir a Deus, pois sentir Deus não depende de nós, isto é graça, dom gratuito,
que Deus concede a quem quiser e quando desejar, mas o buscar a Deus, isso depende da minha
vontade. “Contudo o sentir Deus não é ainda o principal na vida espiritual. O principal está em
querer a Deus por si mesmo. Pois o sentir Deus não está sempre ao nosso alcance, enquanto o
querer Deus sim”.A oração pessoal deve concretizar o pedido de Jesus: “Orai sem cessar”, em
todas as circunstâncias da vida, o que equivale a dizer que todas as circunstâncias, todos os
acontecimentos são meios pelos quais podemos fazê-los oração, aqui vida e oração se
encontram, ambas se cruzam, a vida se faz oração, e oração se faz nossa vida. Adorar a Deus em
espírito e em verdade, este é o ideal proposto por Jesus. Comentando esta passagem Monsenhor
Jonas Abib ensinava que esta adoração a Deus dever ser feita no Espírito, que clama em nós
Abba Pai, e em verdade, na verdade de nossa vida, com tudo aquilo que estamos passando em
nossa realidade existencial e espiritual, do contrário nossa oração corre o risco de ser mentirosa.
A oração pessoal deve ser fruto do nosso amor a Deus, pois onde o não há
amor tudo se torna insignificante, já nos dizia Santa Terezinha: Nada é pequeno onde o amor é
grande, como também deve ser expressão de um compromisso de vida, algo de fato vital para
nós, sem a qual a vida perde sentido, uma vez que sem esse comprometimento com Deus e
fidelidade perseverante à oração pessoal corremos o risco de um não progredir na fé, de
paralisar nosso crescimento espiritual, e assim não chegarmos à plena estatura do Cristo, como
meta de toda vida cristã, segundo nos propõe São Paulo.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

QUAIS OS PREJUÍZOS QUANDO NÃO SE TEM A ORAÇÃO PESSOAL?

Por conseguinte aquele que não reza se priva de todos esses benefícios
espirituais e humanos. Uma vez que a oração nos leva a um encontro com Deus e consigo
mesmo, quem não encontra a Deus também acaba por perder a si mesmo. A falta de oração
deixa o coração fragilizado diante das angústias e problemas da vida. No livro de Jó temos um
testemunho de como a oração é fonte de fortaleza da alma e de firmeza da fé diante das diversas
tragédias que podem acontecer nesta vida. Sem a oração o homem perde o sentido maior desta
vida, e de sua transcendência na direção de Deus. Uma vez que orar é sempre possível, aquele
que não reza perde a oportunidade de direcionar sua vida e os acontecimentos a sua volta,
mesmo os mais trágicos, para Deus e nEle viver a dimensão da aceitação, mesmo quando não é
possível compreende-los. A falta de oração enfraquece a alma humana, e a pessoa que deixa de
rezar se torna mais sujeita a perder o auto-domínio de si mesmo e de seus impulsos, assim quem
não ora se torna mais propenso ao pecado. É muito clara a exortação do Catecismo nº. 2774: “Se
não nos deixarmos levar pelo Espírito, cairemos de novo na escravidão do pecado”. Aquele que
não possui uma vida de oração pessoal certamente se torna mais aberto às seduções desse
mundo e às tentações do mal. Como nos diz Santo Afonso Maria de Ligório: “Quem reza
certamente se salva; quem não reza certamente se condena”. E São João Crisóstomo nos ensina
algo similar: “É impossível que caia em pecado o homem que reza”, o que equivale a dizer que
quem não reza facilmente acabará pecando.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

QUAIS OS BENEFÍCIOS E EFEITOS DA ORAÇÃO?

A oração pessoal possibilita aquele que reza com fé e com perseverança, pois
neste assunto não há imediatismo nem mágicas, e para tanto requer persistência e fidelidade,
angariar no âmbito humano. Ganha em auto-realização, vê mais sentido nas coisas, percebe mais
encanto em seu mundo, sente-se mais cheio de serenidade, equilíbrio e felicidade interior, cresce
sua sensibilidade aos valores profundos da vida, e mais ainda, a oração ajuda a recuperar a
saúde, protege contra a perda da harmonia interior, propiciando autocontrole e serenidade do
coração, e permite enfrentar os problemas da vida com melhores chances de sucesso.
Por sua vez no âmbito espiritual a oração gera uma confiança filial em Deus,
de quem tudo recebemos, nos impulsiona a uma fé mais viva, ao mesmo tempo que dela
procede, fortalece nossa vontade na busca pela santidade de vida, nos leva a uma experiência
mais profunda do amor de Deus, faz iniciar em nós um processo contínuo de cura interior, assim
como vai sedimentando em nosso coração as virtudes cristãs, e opera a libertação interior dos
vícios e de seu enraizamento em nossas estruturas humanas. Uma vez que não podemos dizer
Jesus é o Senhor senão pela moção do Espírito Santo, como nos ensina o Catecismo: “cada vez
que começamos a orar a Jesus é o Espírito Santo que, por sua graça preveniente, nos atrai ao
caminho da oração”, assim sendo, o Espírito Santo é o nosso Mestre interior que move nossa
oração, que derramado aumenta em nós os seus dons. E desejamos acrescentar o fruto por
excelência da oração cristã que nos faz experienciar a graça da salvação que Jesus veio trazer a
todos os que nEle crer, pois quem nele crê possui a vida eterna.

terça-feira, 12 de abril de 2011

COMO PREPARAR PARA A ORAÇÃO?

Para uma boa oração necessitamos estar atentos para algumas condições
prévias que nos ajudam a viver a oração como uma experiência de encontro com Deus, ou seja,
para uma oração profunda e verdadeira necessitamos de uma preparação, que servirá de apoio e
ajuda para que a oração flua em intimidade e profundidade.
a. Disposição interior: vai-se para a oração não apenas para cumprir um dever ou para encarar
algo difícil ou inútil, mas para dialogar com o Pai, para um encontro de amor, procurando
ouvir o Espírito Santo e aprender com Ele; por isso a primeira exigência é entrar num clima
de oração, com um coração que tenha desejo de Deus e de sua Palavra.
b. Escolher um bom lugar, onde possa rezar melhor, que ajude a viver o clima de oração:
assim como Jesus se retirava para lugares específicos como o deserto, a montanha, também
nós precisamos ficar a sós com Deus, e o lugar deve ser propício para isso.
c. Tempo: É indispensável se preparar para a oração definindo um horário do dia que seja
mais favorável a sua oração, fixando um tempo determinado para isso, e procurando ser fiel
a Ele, pois Jesus se levantava de madrugada para rezar, e passava mesmo a noite inteira em
oração ( Lc 6, 12; Mc 1, 35 ).
d. Posição do corpo: Encontrar a uma boa posição física, o que não significa a mais cômoda,
que facilite a concentração e possibilite que a oração flua com naturalidade, evitando assim
que se perca o foco e o ritmo da oração.
e. Serenidade Interior: Quando se está agitado emocionalmente e com um coração inquieto e
perturbado a oração encontrará maior dificuldade de acontecer com fluidez e profundidade,
por isso se requer dispor o coração na paz, acalmar as paixões, esvaziar-se das preocupações
da vida, entregando-se pela fé ao Senhor Jesus e clamando a graça do Espírito Santo para o
apaziguamento do coração.
f. Silêncio Exterior: Em meio a tanto barulho, que muitas vezes independe de nossa vontade,
sendo externo a nós, requer uma capacidade interior de desligar-se, evitando prestar atenção
ao barulho, não se incomodando com ele, mudando o foco de sua atenção para o que se está
disposto a vivenciar naquele momento da oração, como nos diz frei Clodovis : o ruído já não
mais incomoda por dentro, embora persista por fora.
g. Silêncio Interior: Aqui se deve buscar o recolhimento, como encontro consigo mesmo,
visando voltar-se para si mesmo, livrando-se do que possa tirar o foco do diálogo com Deus,
não mais daquilo que é exterior, mas agora das agitações interiores. “Pois como Deus poderá
preencher seu coração com sua presença, se você está entulhado de tantas coisas”. Só uma
mente recolhida e tranqüila dialoga com Deus, assim é preciso esvaziar a cabeça,
tranqüilizar o coração, focar-se em Deus.
h. Dar-se conta do valor e da importância da Oração: Eis um princípio básico para começar
e perseverar na oração, reconhecendo que isto é fundamental para minha vida, assim como o
ar que eu respiro. Não se faz aquilo que não se julga importante. Por isso devo antes de tudo
tomar consciência daquilo que vou fazer quando estou a orar: vou realizar para um encontro
de fé com o Pai, que me atrai ao seu amor, mesmo quando eu não venho a sentir esse amor,
mas poderei perceber que isso é verdade; e que o mais importante é: unir-me a Deus, pois
esta é a finalidade da oração, independente se sinto sua presença ou não.
i. Pedir a presença do Espírito Santo: Esta exigência é peculiar a longa tradição da Igreja,
uma vez que o Espírito é o doce hóspede da alma e o nosso Mestre Interior, somente sob sua
moção podemos viver bem nossa oração pessoal, sendo por ele iluminado neste desejo de
profunda união com nosso Salvador e Senhor Jesus Cristo.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

SEGUNDO A BÍBLIA O QUE DEUS NOS FALA SOBRE A ORAÇÃO?

Na perspectiva do Antigo Testamento, segundo o Catecismo da Igreja, a
oração é vista, nas primeiras passagens bíblicas, como um modo concreto e bonito de
relacionamento com Deus que se mostra mediante a apresentação de oferendas a Deus, ou pela
invocação do nome de Deus, ou ainda como uma caminhada com Deus. À luz dos relatos
bíblicos, que nos narram diversas experiências espirituais dos grandes homens de Deus,
encontraremos várias noções que nos levam a entender o que seja a oração. No chamamento de
Abraão e na sua resposta a Deus, a oração se expressa como uma escuta atenta e silenciosa do
coração à voz de Deus e como uma resposta concreta na obediência a Ele, (obediência significa
em latim, ouvir com atenção), buscando realizar a vontade de Deus, por meio de ações
concretas, e que por sua vez requer como fundamento único o dom da fé na fidelidade de Deus.
“A oração restaura o homem a semelhança de Deus e o faz participar do poder do amor de Deus
que salva a multidão”. Na experiência de Jacó a oração pode ser definida como o combate da fé
e como a vitória da perseverança. Na profunda experiência de Moisés a oração revela sua
dimensão de intercessão, de diálogo com Deus, que por primeiro vem ao seu encontro,
revelando sua mais bela face, a da contemplação, pois Moisés falava com Deus face a face.
Neste âmbito a oração se apresenta como um encontro íntimo com Deus. Por sua vez em Davi a
oração adquire um rosto novo, de louvor e ação de graças, expressando sua adesão fiel, sua
confiança e alegria no Senhor. Já na experiência espiritual dos Profetas a oração é revelada
como uma escuta e fidelidade a Palavra de Deus, que impulsiona as específicas missões de falar
em nome de Deus. E os salmos são a própria Palavra de Deus que se faz oração, pessoal e
comunitária, ensinando-nos a orar sempre, em todas as circunstâncias da vida, se caracterizando
pela simplicidade e espontaneidade num contínuo desejo de Deus, aqui a oração reflete a
vivência da fé nos diversos acontecimentos da nossa vida.
Na perspectiva do Novo Testamento, com a manifestação do Filho de Deus, a
oração encontra sua plena revelação em Jesus, que reza com seu coração humano, sendo um
coração de Filho. Desse modo a oração possui uma novidade: a oração se manifesta como
oração filial, como um encontro com o Pai. Jesus sendo um homem de oração nos mostra toda a
força da oração, e sua importância na vida humana e nos seus momentos decisivos
configurando-se segundo o testemunho de Jesus: como uma entrega humilde e confiante a
vontade amorosa do Pai, como uma adesão amorosa do coração ao mistério da vontade do Pai,
como uma ação de graças, que deve vir por primeiro.
Nos Evangelhos Jesus deixa seu ensinamento sobre a oração, que deve ser
assim compreendida: como um encontro filial com o Pai, movido pelo Espírito Santo, que nasce
de um coração humilde e reconciliado com todos, fruto de uma fé viva, e em constante
vigilância. A oração, em sua própria essência, requer algumas propriedades: primeiro a
persistência; depois a paciência e por fim a humildade. A grande novidade que Jesus nos traz,
mediante a sua encarnação, é esta: a oração dos discípulos deve ser feita, “em seu Nome”, pois
Ele é o caminho, a verdade e a vida, nosso Intercessor diante do Pai. E por fim no Magnificat
aprendemos de Maria qual a finalidade última da oração cristã: a união com Deus, nossa
comunhão com Ele, “ser todo dele porque Ele é todo nosso”.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

QUEM PODE E QUEM DEVE PRATICAR A ADORAÇÃO AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO?

Podem e devem praticar a adoração ao Santíssimo Sacramento todos os que acreditam na presença
real de Jesus na Santíssima Eucaristia e querem viver uma experiência de intimidade com o Senhor
ressuscitado. A adoração eucarística é um prolongamento da celebração da Missa, de tal forma, que
ficará faltando alguma coisa para quem realiza sua adoração e não participa da Missa,
especialmente aos Domingos, pois “A celebração eucarística é, com efeito, o coração do Domingo”.
Poderíamos dizer, então, que somente quem celebra o Domingo, com sua participação na
celebração da Missa, pode realmente adorar o Senhor no Santíssimo Sacramento, a não ser que se
esteja impedido, por algum motivo, de participar da celebração dominical. A adoração eucarística é
um exercício espiritual, pessoal ou comunitário, que nasce da celebração do memorial da Páscoa do
Senhor, a Santa Missa, e a este mistério o adorador deve ser conduzido. Então, podemos afirmar
que “o verdadeiro adorador é alguém que participa plenamente da Ceia do Senhor, onde recebe o
Pão da Vida e o toma do Cálice da Salvação. Ele consegue, na prece silenciosa diante da Eucaristia,
fazer passar pelo coração (recordar) as maravilhas de Deus. É alguém que ama verdadeiramente a
sua comunidade eclesial e que não recusa jamais o serviço aos irmãos e irmãs, prolongando, assim,
a Eucaristia na vida”. O verdadeiro adorador busca profeticamente construir a comunhão e a
unidade na comunidade onde vive e desenvolve sua fé. Quem pratica com devoção e humildade a
adoração ao Santíssimo Sacramento vive como os primeiros cristãos, como está registrado no livro
dos Atos dos Apóstolos, que eram assíduos à oração, com Maria, mãe de Jesus. E que “Unidos de
coração freqüentavam todos os dias o templo”(cf. At 1, 14; 2, 46).

quinta-feira, 7 de abril de 2011

QUAL A REGULARIDADE PARA PRATICAR A ADORAÇÃO AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO?

Felizmente não existe limite. Sempre que tenhamos tempo disponível e Igreja ou Oratório por perto,
aproveitemos para fazer uma visita ao Senhor presente no Santíssimo Sacramento. Especialmente
busquemos a Jesus sacramentado antes da Missa Dominical, ou ainda, quando estivermos passando
por uma Igreja ou Oratório, sintamo-nos livres para irmos ao encontro do senhor que alegremente
nos aguarda no Sacrário para nos acolher e derramar sobre nós suas graças, seu carinho e seu amor.
Quanto mais permanecemos ao lado de quem nos ama mais nos sentimos amados. Quanto mais
perto de Jesus no Santíssimo Sacramento, mais nos sentimos amados por ele, e, consequentemente,
mais nos sentimos impelidos a amar nossos semelhantes. Segundo Bento XVI “É bom demorar-se
com Ele e, inclinado sobre o seu peito como o discípulo predileto(cf. Jo 13, 25), deixar-se tocar pelo
amor infinito do seu coração. Se atualmente o cristianismo se deve caracterizar sobretudo pela «arte
da oração», como não sentir de novo a necessidade de permanecer longamente, em diálogo
espiritual, adoração silenciosa, atitude de amor, diante de Cristo presente no Santíssimo
Sacramento? Quantas vezes, meus queridos irmãos e irmãs, fiz esta experiência, recebendo dela
força, consolação, apoio!”. Sigamos o exemplo de tantos santos e santas que “na Eucaristia
encontraram o alimento para o seu caminho de perfeição. Quantas vezes eles verteram lágrimas de
comoção na experiência de tão grande mistério e viveram indizíveis horas de alegria ‘esponsal’
diante do Sacramento do altar”.(Mane Nobiscum Domine, n.31). Daí que, ainda neste mesmo
Documento, somos assim motivados: “A presença de Jesus no tabernáculo deve constituir como que
um pólo de atração para um número sempre maior de almas apaixonadas por Ele, capazes de ficar
longo tempo escutando a voz e quase que sentindo o palpitar do coração”(Mane Nobiscum Domine,
n. 18). Neste mesmo documento, no nº 30, dirigindo-se especialmente aos consagrados e
consagradas, João Paulo II faz um veemente convite dizendo “Jesus no Sacrário espera por vós
junto d'Ele, para derramar nos vossos corações aquela experiência íntima da sua amizade que é a
única que pode dar sentido e plenitude à vossa vida”. Acolhamos nós também esse amável convite e
não hesitemos em correr ao encontro do Senhor para permanecermos em oração diante d’Ele.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

QUAIS OS PREJUÍZOS QUANDO NÃO PRATICAMOS A ADORAÇÃO AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO?

Segundo o Papa Bento XVI, “pecaríamos se não adorássemos” o Santíssimo Sacramento. Diante de
Jesus Sacramentado encontramos refúgio, alento, renovação de nossas forças desgastadas pelos
inúmeros trabalhos e preocupações. Se deixarmos de procurar Jesus no Santíssimo Sacramento não
estamos em comunhão com Ele que se entrega totalmente a nós na celebração da Missa. Não
praticar a adoração ao Santíssimo Sacramento pode significar que Jesus não está em primeiro lugar
em nossa vida. E se Ele não ocupa o primeiro lugar em nossa vida, estamos em dificuldades, pois
“sem Ele nada podemos fazer”(Jo 15, 5); sem Jesus deixamos de produzir frutos, ou seja, virtudes,
atos de amor, e se não somos virtuosos ou não praticamos atos de amor, tornamo-nos perigosos para
nós mesmos e para os que conosco convivem. Sem Jesus falamos o que não convém, o que não
edifica; fazemos coisas que impedem nosso crescimento no Reino de Deus e, conseqüentemente,
nossa comunhão com Deus e com os irmãos fica comprometida. Sem adoração a Jesus no
Santíssimo Sacramento perdemos muitas graças, muitas bênçãos; e, ainda, não contribuímos para
que o Reino de Deus cresça, para que os pecadores se convertam, para que a paz, que é fruto da
justiça, reine em nossos corações, em nossos lares, em nossas comunidades, em nossa sociedade e
no mundo. Os prejuízos seriam muitos. Poderíamos identificá-los com o que encontramos em Jo 15,
se não permanecermos unidos a Jesus. E é dEle mesmo que escutamos este apelo “sem mim nada
podeis fazer”(Jo 15, 5).

terça-feira, 5 de abril de 2011

QUAIS OS BENEFÍCIOS E EFEITOS DA ADORAÇÃO AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO?

Adorar Jesus no Santíssimo Sacramento, além de nos encher de alegria, também sentimos
amadurecer nossa união com Ele; somos mais livremente conduzidos à celebração da Eucaristia e
saudavelmente crescemos no amor a Deus e ao próximo. Em outras palavras, essa relação pessoal
com o Senhor favorece um contínuo crescimento na fé e prolonga a graça do Sacrifício Eucarístico
celebrado especialmente no Domingo(Dies Domini). A Eucaristia estimula à conversão e purifica o coração. Reaviva nosso coração e nos impulsiona à celebração da Missa Dominical. O ato de adorar
Jesus no Santíssimo Sacramento nos aproxima de Deus Pai, abre nosso coração para a ação do
Espírito Santo, faz arder nosso coração quando lemos as Escrituras, especialmente os Santos
Evangelhos, impulsiona-nos para irmos ao encontro dos irmãos, especialmente os mais
necessitados, firma-nos como discípulos e nos faz ardorosos missionários. Nosso “encontro com o
Senhor, presente na Eucaristia, amadurece também a missão social, que está encerrada na Eucaristia e deseja romper as barreiras não apenas entre o Senhor e nós mesmos, mas também e, sobretudo, as barreiras que nos separam uns dos outros”(Bento XVI). A adoração ao Santíssimo Sacramento purifica e alimenta a comunhão entre os esposos; tonifica o ministério dos Pastores da Igreja e a
docilidade dos fiéis ao seu magistério; os enfermos experimentam a comunhão com o sofrimento de
Cristo; todos se sentem motivados a buscar a reconciliação sacramental para poderem comungar
com proveito; a comunhão e a unidade são garantidas entre os múltiplos carismas, funções,
serviços, grupos e movimentos no seio da Igreja; todas as pessoas empenhadas nas diversas
atividades, serviços e associações de uma paróquia, são identificadas por atitudes pautadas pelos
valores do Evangelho e por uma espiritualidade de comunhão; e ainda, a adoração ao Santíssimo
sustenta as relações de paz, de entendimento e de concórdia na cidade terrena, entre todos os seres
humanos. “Prostrando-nos diante da Eucaristia, aprenderemos de maneira certa o que significa
comunhão, cultura do diálogo, vida solidária, serviço aos mais necessitados e respeito à dignidade
humana. Graças à iniciativa do Senhor que quis permanecer conosco podemos aprender dele as
melhores lições.
A busca incessante de muitos homens de hoje em responder às suas grandes perguntas não
pode ser desvinculada da fé que nos faz prostrar diante de Jesus “simples” (DIEGO TALES).
Portanto, “Permaneçamos longamente prostrados diante de Jesus presente na Eucaristia, reparando
com a nossa fé e o nosso amor os descuidos, os esquecimentos e até os ultrajes que nosso Salvador
deve sofrer em tantas partes do mundo” (Mane Nobiscum Domine, n.18). No Documento para o
Ano da Eucaristia, Nº 6, encontramos este salutar ensinamento: “A Eucaristia nos torna santos, e
não pode existir santidade que não esteja encarnada na vida eucarística. “Quem come a minha carne viverá por mim” (Jo 6, 57).

segunda-feira, 4 de abril de 2011

COMO FAZER A ADORAÇÃO AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO?

Segundo a tradição da Igreja, exprime-se de diversas modalidades:
– a simples visita ao Santíssimo Sacramento, conservado no Sacrário: breve encontro com Cristo,
sugerido pela fé na sua presença e caracterizado pela oração silenciosa;
– a adoração diante do Santíssimo Sacramento exposto, segundo as normas litúrgicas, na custódia
ou na píxide, de forma prolongada ou breve;
– a adoração perpétua, a das Quarenta Horas ou noutras formas, que empenham toda a comunidade
religiosa, uma associação eucarística ou uma comunidade paroquial, e que são ocasião de
numerosas expressões de piedade eucarística (cf. Diretório, 165).
- cada um de nós tem sua criatividade; são inúmeras as formas que nos ajudarão a adorar profunda e
respeitosamente a Jesus Eucarístico; diversos são os instrumentos que podemos usar para nos
ajudarem a rezar com eficácia diante do Santíssimo; temos a Bíblia, especialmente os Salmos, o
rosário é um valioso e eficaz instrumento para nossa adoração, existe ainda uma infinidade de livros
de orações; mas nunca nos esqueçamos de que se faz muito importante o silêncio; a oração
silenciosa e contemplativa é de um valor sem medida; precisamos resgatar o silêncio em nossas
adorações eucarísticas; nós precisamos aprender a cultivar o silêncio que nos leva às profundezas do
ser, onde podemos realmente ter um encontro alegre e salvífico com o Senhor.

domingo, 3 de abril de 2011

COMO PREPARAR-SE PARA PRATICAR A ADORAÇÃO AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO?

É recomendável, para um aproveitamento mais eficaz da devoção eucarística, que os adoradores
estejam em estado de graça, ou seja, que pratiquem a confissão sacramental com mais freqüência,
busquem viver uma vida digna, sejam testemunhas fiéis, sejam assíduos à leitura orante da Bíblia,
especialmente que conheçam os Santos Evangelhos como também tenham sempre mais interesse
pelo estudo da doutrina católica, sobretudo pelo que a Igreja ensina através de seu Catecismo e de
seus documentos. Reconhecendo Jesus na Eucaristia, precisamos também reconhecê-lo entre nós,
em todas as pessoas e especialmente na pessoa dos mais sofredores.

sábado, 2 de abril de 2011

SEGUNDO A BÍBLIA O QUE DEUS NOS FALA SOBRE A ADORAÇÃO AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO?

Na Bíblia não vamos encontrar literalmente a expressão: “adoração ao Santíssimo Sacramento”.
Mas, na verdade, o que é o Santíssimo Sacramento? É Deus presente no meio do seu povo. É Jesus
atuando na história. Portanto, vamos encontrar na Bíblia diversos textos que nos sugerem adoração
a Deus. De fato, somente a Deus devemos adorar. Adorar a Deus é o máximo que podemos fazer
enquanto passamos pelos caminhos da existência terrestre. Nossa primeira atitude como criaturas
diante do Criador é, sem dúvida, a adoração. Pela adoração exaltamos a grandeza do Senhor que
nos fez e a onipotência do Salvador que nos liberta do mal. A adoração do Deus três vezes santo e
sumamente amável nos enche de humildade e dá garantia a nossas súplicas. No Antigo Testamento
podemos ler freqüentes vezes expressões como estas: “Todo o povo se prostrou com o rosto em
terra para adorar e bendizer no céu aquele que os havia conduzido ao triunfo”(1Mac 4, 55). “Assim
vos bendirei em toda a minha vida, com minhas mãos erguidas vosso nome adorarei”(Sl 62, 5). “É
somente a vós, Senhor, que devemos adorar”(Br 6, 5). “Prostrando-se diante dele, o adoraram”(Mt
2, 11). “...os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, e são esses
adoradores que o Pai deseja”( Jo 4, 23). Quando nos prostramos em adoração a Jesus no Santíssimo
Sacramento, somos muito mais felizes que Abraão, Moisés, Davi, os Profetas... Sem dúvida, eles
adoraram a Deus Santíssimo, ou como é comum na Bíblia, ao Deus três vezes Santo, ou ao Santo,
Santo, Santo, o Senhor Deus do universo. Mas como nos diz a Palavra em Hb 11, 13, eles
“morreram firmes na fé. Não chegaram a desfrutar a realização da promessa, mas puderam vê-la e
saudá-la de longe e se declararam estrangeiros e peregrinos na terra que habitavam”. Nós, porém,
somos privilegiados. Diante do Santíssimo Sacramento, nossa experiência se identifica com a
experiência dos Apóstolos, pois estamos diante de Jesus vivo e operante. No silêncio, ele nos ensina
como Mestre. Encerrado no Sacrário ele nos dá a liberdade, escondido na Hóstia Consagrada ele
nos revela a glória de Deus Pai e o poder do Espírito Santo. Assim como no deserto o Senhor Deus
libertou seu povo da escravidão do Egito, no Santíssimo Sacramento o Senhor Jesus nos liberta de
nossa aridez espiritual, de nosso egocentrismo, de nossos vãos desejos. Ele nos liberta da escravidão
do pecado e nos conduz à vida da graça. Ele nos aproxima do Pai celestial e de todos os irmãos e
irmãs, faz-nos crescer em comunhão, torna-nos solidários com os mais carentes e nos abre o
coração para acolhermos a vontade de Deus. No Santíssimo Sacramento, Jesus é nosso refúgio e
nossa segurança, nossa paz, nosso caminho, nossa vida e nossa verdade. Ali no tabernáculo Jesus
nos aponta para o Tabernáculo eterno.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O QUE A IGREJA FALA SOBRE A ADORAÇÃO AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO?

A Igreja nos ensina que “A reserva do Corpo de Cristo para a Comunhão dos enfermos criou entre
os fiéis o louvável costume de se recolherem em oração para adorar Cristo realmente presente no
Sacramento conservado no sacrário. Recomendada pela Igreja aos Pastores e fiéis, a adoração do
Santíssimo é uma alta expressão da relação existente entre a celebração do sacrifício do Senhor e a sua presença permanente na Hóstia Consagrada”(cf. De sacra Communione, 79-100; Ecclesia de
Eucharistia, 25; Mysterium fidei; Redemptionis Sacramentum, 129-141). Sobre este ponto assim se
expressa o Romano Pontífice em sua Exortação Apostólica Pós-sinodal, Sacramentum Caritatis, nº
66: “De fato, na Eucaristia, o Filho de Deus vem ao nosso encontro e deseja unir-Se conosco; a
adoração eucarística é apenas o prolongamento visível da celebração eucarística, a qual, em si
mesma, é o maior ato de adoração da Igreja: receber a Eucaristia significa colocar-se em atitude
de adoração d'Aquele que comungamos. Precisamente assim, e somente assim, é que nos tornamos
um só com Ele e, de algum modo, saboreamos antecipadamente a beleza da liturgia celeste. O ato
de adoração fora da Santa Missa prolonga e intensifica aquilo que se fez na própria celebração
litúrgica. Com efeito, “somente na adoração pode maturar um acolhimento profundo e verdadeiro.
Precisamente neste ato pessoal de encontro com o Senhor amadurece depois também a missão
social, que está encerrada na Eucaristia e deseja romper as barreiras, não apenas entre o Senhor e
nós mesmos, mas também, e sobretudo, as barreiras que nos separam uns dos outros”. Portanto,
“O permanecer em oração diante do Senhor vivo e verdadeiro no santo Sacramento amadurece
nossa união com ele: dispõe-nos para a frutuosa celebração da Eucaristia e prolonga as atitudes de
culto por ela suscitadas”(Ano da Eucaristia. Nº 13 - 15 de Outubro de 2004)